Processos robotizados superam um dos principais desafios da matéria-prima e viabilizam mudas em escala comercial para o projeto de US$ 3 bilhões da Acelen Renováveis voltado à produção de SAF e HVO
Como transformar uma planta nativa brasileira, ainda pouco desenvolvida como cultura comercial, em matéria-prima capaz de abastecer uma nova indústria de combustíveis renováveis? Essa é uma das questões que mobilizam pesquisadores, engenheiros e especialistas do Acelen Agripark, maior centro agroindustrial do mundo dedicado à macaúba, que completa um ano de operação em Montes Claros (MG).
Desenvolvido pela Acelen Renováveis, empresa de energia do Mubadala Capital, o Acelen Agripark já operava, antes mesmo de sua inauguração oficial, estruturas dedicadas a transformar a macaúba em uma cultura viável em escala comercial. Em seu primeiro ano de operação, o complexo, localizado em Montes Claros (MG), avançou em um dos principais desafios históricos da espécie: estudos conduzidos em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) alcançaram taxas de germinação superiores a 80%, ante índices naturais, que variam entre 3% e 5%. Para acelerar o desenvolvimento da cultura e sua futura aplicação na produção de combustíveis renováveis, o Acelen Agripark integra, em um mesmo ambiente, biofábrica, laboratório de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), usina-piloto, viveiros e áreas experimentais, conectando pesquisa científica, produção de mudas e processamento da macaúba.
Resultado de um investimento de R$ 314 milhões, dos quais R$ 258 milhões financiados pelo BNDES, o Acelen Agripark reúne, em um único espaço, ciência, tecnologia e inovação para criar soluções que abrangem toda a cadeia produtiva da macaúba, desde a pesquisa genética e a produção de mudas até o processamento industrial dos frutos. Mais do que um centro de inovação agroindustrial, o complexo materializa a estratégia da Acelen Renováveis de transformar uma espécie nativa brasileira em uma nova plataforma para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO).
Um dos principais destaques deste primeiro ano é a biofábrica, considerada o coração tecnológico do Acelen Agripark. Em uma estrutura de 1.500 metros quadrados de sala limpa, processos robotizados permitiram superar um dos maiores desafios históricos da macaúba: a baixa e lenta germinação das sementes. Com capacidade para escarificar até 1,7 milhão de sementes por mês, em um ritmo de um segundo por unidade, a biofábrica tornou possível a produção de mudas em escala comercial.
Outro diferencial do complexo é o LabNext, laboratório responsável pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e controle de qualidade. Com capacidade instalada para realizar até 160 mil análises por ano, 87 equipamentos de alta tecnologia e 93 tipos de análise, o espaço monitora todas as etapas da cadeia produtiva, da água, do solo e dos frutos ao óleo e aos efluentes, o que garante padronização, rastreabilidade e sustentabilidade aos processos.
Na usina-piloto, a empresa avança na industrialização da macaúba por meio de uma planta totalmente automatizada, desenvolvida para testar e aperfeiçoar processos que serão utilizados na produção de combustíveis renováveis. A unidade tem capacidade para processar até duas toneladas de frutos por hora e opera simultaneamente quatro processos de extração de óleo, fundamentais para validar as tecnologias que serão aplicadas em escala industrial.
O uso de tecnologia também está presente na produção de mudas. A linha automatizada de semeadura utiliza tubetes biodegradáveis e sistemas de rastreabilidade que permitem acompanhar individualmente o desenvolvimento das plantas. O viveiro, com capacidade para produzir 10,5 milhões de mudas por ano, controla todas as variáveis ambientais necessárias para garantir o crescimento das mudas antes do plantio em campo.
“O primeiro ano do Acelen Agripark confirma que a inovação é o caminho para transformar o potencial da macaúba em uma nova cadeia produtiva. Mais do que desenvolver uma cultura agrícola, estamos construindo as bases de um projeto capaz de gerar desenvolvimento regional, fortalecer a transição energética e posicionar o Brasil na liderança desse mercado”, afirma Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis.
Além dos avanços tecnológicos, o Acelen Agripark fortalece o desenvolvimento regional. Atualmente, o complexo reúne 146 colaboradores, dos quais 37,7% são mulheres, e contribui para impulsionar a economia local e toda a cadeia de fornecedores. O empreendimento atua em parceria com universidades, centros de pesquisa e instituições nacionais e internacionais.
As tecnologias desenvolvidas no Acelen Agripark também já começam a chegar ao campo e dão suporte à expansão do cultivo da macaúba em áreas degradadas. O projeto da Acelen Renováveis prevê o cultivo de 144 mil hectares da espécie para abastecer a futura produção de 1 bilhão de litros anuais de SAF e HVO. Segundo estudo da FGV, a iniciativa tem potencial para injetar US$ 40 bilhões na economia brasileira e gerar até 85 mil empregos ao longo de sua implementação, ampliando a cadeia produtiva dos combustíveis renováveis no país.
Sobre a Acelen Renováveis – A Acelen Renováveis é uma empresa de energia renovável do Mubadala Capital, companhia global de gestão de ativos alternativos com sede em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, criada para participar ativamente da transição energética global. A empresa é independente da Acelen Refinaria de Mataripe e desenvolve um ecossistema integrado para produção de combustíveis renováveis no Brasil, combinando inovação agrícola, tecnologia industrial e descarbonização da mobilidade e da aviação. Saiba mais em acelenrenovaveis.com.